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RP 2.0

O debate sobre RP 2.0 na Campus Party 2009 contou com a presença de Mário Soma (RMA Comunicação), Thiane Loureiro (Edelman), Eduardo Vieira (Agência Ideal) e Eduardo Vasques (TV1) foi excelente tanto para os blogueiros como para empresas da área de comunicação. A principal questão era como o mercado está utilizando as novas ferramentas que possui, se estão conseguindo fazer direito e como está sendo a resposta dos usuários.

Hoje 90% dos usuários estão em algum tipo de rede social onde o mais importante é conquistá-los ao invés de tentar empurrar a informação, como é feito com os spams há tempos. Mas infelizmente muitas pessoas preferem o retorno de 1% com os métodos antigos, como o telemarketing de cartões de crédito, do que mudar o modo como enxergam a internet. Afinal, mídia social é um tipo de cultura, não meio de divulgação.

Mudar a forma como o mercado enxerga os blogs é um dos muitos problemas que as agências encontram, pois sempre querem saber quanto vão ganhar ou economizar com um blog. Quando na verdade devem entender que a idéia é fidelizar o cliente/usuário. Ou seja, se trata de um investimento que irá refletir na reputação da empresa na rede por mais tempo do que uma simples campanha.

Outra questão levantada foi a de que muitas empresas não estão prontas para entenderem comentários negativos, e pedem para montar o blog sem essa opção ou moderam os mesmos. Isso acaba com a interatividade e proximidade que são da natureza do blog. O importante é aprender a monitorar para saber o que falam sobre a empresa ou os clientes e ter respostas direcionadas à questão levantada no comentário, não uma resposta padrão ou informativa.

Normalmente colocam alguém da área de jornalismo para escrever e assessor de imprensa para lidar com os blogueiros. Esse é o erro mais comum das agências quando resolvem criar blogs e entrar nas mídias sociais, como Twitter. Escolheram errado a pessoa que vai cuidar dessa parte. Os blogueiros possuem uma metodologia diferente, e muitos se sentem ofendidos quando recebem press-release feito para jornalista. O mesmo pode ser dito dos leitores, já que escolhem os blogs por conter uma opinião mais pessoal sobre os assuntos.

Durante a Campus Party me entrevistaram para saber se lia blogs, comentava e escrevia. O resultado publicado pela Info comprovou o que foi dito durante todo o debate:
“Uma pesquisa feita com ´heavy users´ de internet revelou que quase a metade deles só compra um produto após ler análises em blogs e fóruns.O estudo foi conduzido pelo Ibope na Campus Party e levou em conta entrevistas com 600 participantes do evento.
Conforme explica o instituto, os números não representam a média da sociedade, mas apontam uma tendência ao ouvir usuários conhecidos como ´heavy users´, aqueles que exploram a web com mais intensidade e costumam indicar comportamentos que, depois, são adotados por outros segmentos da sociedade.

Entre os entrevistados, 90% dizem que leem blogs e um terço dos 600 entrevistados dizem serem autores de blogs ou ao menos postar comentários neles com freqüência.Quando analisou os hábitos de consumo destes usuários, 46% disseram que não compram produtos sem antes trocar opiniões com outros consumidores em fóruns pela web.Neste cálculo, são considerados os fóruns clássicos e também listas de discussão em redes sociais, como o orkut.Um número um pouco menor (40%) dizem que vão ao site do fabricante ler especificações dos produtos antes de tomar a decisão de compra.
Apesar serem ávidos leitores de fóruns e comunidades ,dentro deste universo de 46% menos da metade diz postar comentários. A maior parte vai apenas ler a opinião de terceiros.

O item mais desejado pelos entrevistados, diz a pesquisa, não são eletrônicos, mas sim viagens. Os gadgets apareceram em segundo lugar na preferência dos entrevistados, com destaque para laptops e smartphones.”

O que posso concluir depois disso tudo? Que a possibilidade de termos um dia a profissão blogueiro reconhecida é iminente. Isso me deixa animado, já que espero escrever, criar e manter blogs corporativos como profissão. Quem sabe agora é a hora da mudança nas empresas para que tenhamos nosso valor reconhecido no mercado.

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